Brasil precisa apertar o passo no IPv6

Cerca de 0,5% do tráfego online do país usa o novo protocolo

Esgotamento dos endereços no IPv4 se aproxima

 

Por Felipe Locato*

O Brasil precisa ampliar os incentivos para adaptação das redes ao IPv6, protocolo de endereçamento da internet que foi lançado oficialmente há cerca de um ano para substituir os IPv4, já em fase de saturação.

Não sou eu que estou dizendo: um estudo do Comitê Gestor de Internet do Brasil (CGI.br) mostra que, atualmente, não mais do que 0,5% do tráfego online do país usa o novo protocolo, enquanto a média global é de 1,75% a 2%, chegando a 5% na França e 4,5% na  Alemanha.

Um indício de que as ações tomadas pelos governos europeus estão surtindo efeito: no velho continente, diversos locais já estabeleceram que computadores adquiridos por órgãos públicos sejam comprados mediante comprovação da adequação ao IPv6.

Enquanto isso, no Brasil… Órgãos como a Receita Federal, que anualmente recebe milhões de declarações de Imposto de Renda via web, têm grau baixo de migração para o protocolo.

Numa tentativa de avivar o processo, o CGI.br publicou a resolução CGI.br/RES/2013/033, alertando provedores e administrados de sistemas autônomos da importância da migração, alertando sobre problemas que o atraso na mesma pode trazer para usuários, provedores de acesso a Internet e de conteúdo/serviços; além de players da área de cibersegurança e desenvolvedores.

Agora, para acelerar a mudança, o Comitê enviou um ofício ao SBC e à Comissão Especial em Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (CE-ReSD), LARC, ANDIFES, ABRUEM, FEBRABAN, Câmara-e.net,  operadoras de Telecom, além de empresas e entidades envolvidas com o setor de Internet, avisando sobre a urgência da adequação ao IPv6.

Mais: o CGI.br solicitou informação sobre o cronograma de migração de cada um, e sobre quais ações vêm sendo realizadas para garantir seu cumprimento.

Além disso, o Comitê decidiu apoiar a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão na criação de um plano de metas para a adoção do IPv6 nas entidades do Governo Federal e convidar universidades a oferecer cursos focados no novo protocolo.

Iniciativas voltadas a mudar uma realidade difícil: no primeiro semestre deste ano, o Brasil ocupava a 59ª posição mundial no ranking dos países mais habilitados ao IPv6, ficando em 10º na América Latina (dados de estudo assinado pelo consultor legislativo do Senado, Igor Vilas Boas de Freitas, indicado a conselheiro da Anatel, e pelo economista Andrey Vilas Boas de Freitas).

O próprio NIC.br, que é o distribuidor oficial de blocos IPv6 para o Brasil desde 2006, já falou na falta de incentivo nacional para adequação.

De acordo com a entidade, é bom que fornecedores do setor de Internet comecem a se mexer mais ativamente para acelerar o processo, e uma boa deixa para isso é aproveitar a troca de modens em ambientes corporativos e domésticos para oferecer aos usuários pacotes mais abrangentes, compreendendo a migração de sistemas para o novo protocolo.

Entre apelos, dicas, conselhos e cobranças, a conclusão é que é preciso correr. Enquanto o Brasil avança a passos lentos no IPv6, globalmente a migração para o protocolo aumentou oito pontos percentuais, segundo pesquisa da BT, chegando a 13% das empresas globais no ano passado.

Ou avançamos, ou correremos risco de perder boas oportunidades. Sim, pois o esgotamento dos endereços no IPv4 se aproxima, e, quando chegar, aplicações, serviços e conteúdos disponíveis na web serão inúteis se não houver terminais IPv6 prontos para acessá-los.

*Felipe Locato é Gerente de Desenvolvimento de Negócios.

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